Opinião – De bote ou a prova d’água?

Mesmo com o necessário combate à corrupção, a saúde pública parece ser ”figurante” na operação Carne Fraca da PF, e um tsunami de incertezas já se forma no mercado pecuário A operação deflagrada pela Polícia Federal denominada de ”Carne Fraca”, não expõe nada além do que, já muito exibido em canais do YouTube (embutidos – linguiça, …

17/03/2017 17:37



Mesmo com o necessário combate à corrupção, a saúde pública parece ser ”figurante” na operação Carne Fraca da PF, e um tsunami de incertezas já se forma no mercado pecuário

A operação deflagrada pela Polícia Federal denominada de ”Carne Fraca”, não expõe nada além do que, já muito exibido em canais do YouTube (embutidos – linguiça, salsicha, nuggets, salames etc, feito à base de restos de vísceras, couros, sebos e muita, mas muita química e condimentos para realçar sabores) os quais funcionários com alguma intenção ou de certa forma frustrados, tentam alertar a população sobre o que elas consomem, filmando e registrando na internet.

Profissionais da área de saúde, nutricionistas e nutrólogos, também já haviam falados sobre as misturas químicas e processos de conservação duvidosos em seus blogs. Mas, esses conteúdos de tamanha importância para o interesse da saúde pública, infelizmente perde espaço a supérfluos virtuais, como piadas e pornografia.

Porém, o que está na mira da Polícia Federal, não é a qualidade da carne bovina, suína ou da ave processada e distribuída para a comercialização e consumo da população no mercado interno, e sim, mais uma insolente manobra de grandes empresas de renomes  – internacionais pela ”qualidade” do produto ofertado outrora – em esquemas de corrupção.

A Friboi é uma empresa com antecedências sanitárias duvidosas. Fundiu-se com a JBS e na tentativa de ”passar um verniz” nas ranhuras do seu passado, fizerem um investimento milionário em marketing – Tony Ramos, quem não lembra? – e deu certo. Conseguiram seguir firme no mercado com marcas que dificilmente alguém já não comprou (Swift, Friboi, Maturatta, Seara, Cabana Las Lilas, Pilgrim’s, Gold Kist Farms, Pierce, 1855 e Big Frango), ”enfeitiçando” a surrada, estúpida e alienada população com as belas e bem ilustradas peças publicitárias.

A BRF & Foods (Sadia, Qualy e Perdigão), vindo de uma crise fiscal gigantesca, com fechamentos de várias plantas frigoríficas pelo país, e envolvidas em uma enxurrada de ações de recuperação judicial, não foi surpresa para o setor, aparecer hoje em tal quadro de empresas corruptas do país.

Seria a frase clássica de quem se vê na beira do abismo financeiro e econômico: ”Salve-se quem puder!!”. Na justificativa do caminho escolhido para se manter no ”status cuo”.

Por fim, uma operação sobre a corrupção envolvida entre os fiscais do MAPA e executivos das referidas empresas, num momento onde o país mal consegue respirar pela pressão do combate a corrupção, escrachada em todos os setores públicos. Em segundo lugar, indiretamente atrelado ao lema atual, ”combate a corrupção”, estaria o cuidado com a saúde da população.

Sem contar com o provável ”tsunami” que já está se formando de incertezas (ações das duas empresas estão em queda livre no Ibovespa, operando em -8% até o final da manhã 11h45) e abalarão não só, a já sofrida e ”escrava” classe dos produtores com tantas exigências sanitárias no mercado interno e externo,como a já desandada economia do país.

 

Da Redação