Opinião – Quatro monstros

”Penso muito na minha neta e nos meus dois netos. O que o futuro poderá reservar para eles? Para a geração deles. Não consigo avaliar” Nos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis, quatro policiais torturaram até a morte George Floyd, um cidadão negro americano. O policial carrasco asfixiou-o com o seu joelho sobre o pescoço …

05/06/2020 12:59



”Penso muito na minha neta e nos meus dois netos. O que o futuro poderá reservar para eles? Para a geração deles. Não consigo avaliar”

Nos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis, quatro policiais torturaram até a morte George Floyd, um cidadão negro americano. O policial carrasco asfixiou-o com o seu joelho sobre o pescoço dele, o George. Tudo gravado por transeuntes com seus celulares fazendo apelos para que eles, os “policiais”, parassem aquela cena macabra, inclusive alertando que o homem estava sangrando pelo nariz. A vítima suplicava dizendo que estava sendo sufocado. O “policial” carrasco, impávido, continuava pressionando com o seu joelho o pescoço do homem imobilizado estendido sobre o asfalto. Os outros três covardes e desumanos assistiam a execução, claramente racista que continua via no país.

Confesso que chorei ao ver divulgada amplamente pela mídia, entre incrédulo e arrasado, ao ver aquelas cenas em plena luz do dia, na primeira potência mundial e democrática, os Estados Unidos.

O povo americano foi para as ruas em 75 cidades em protestos que já causaram 5 mortes, até hoje, dia 1º de junho de 2020 , quando escrevo essa minha revolta contra o racismo e a intolerância.

Foi noticiado pela imprensa americana que George Floyd trabalhou como segurança na mesma boate em que o “policial” carrasco atuou. Se verdadeira essa versão, demonstra o grau da frieza desses quatro criminosos racistas.

A humanidade está em plena desconstrução dos valores que deveriam ser aprimorados em busca de paz, e não pela prática cada vez mais exposta de violência endêmica que assola o Planeta Terra. Com cada vez mais violências, guerras e desprezo pelos direitos humanos.

Nós brasileiros temos convivido por décadas com ela, a violência, nos seus diversos matizes, até hoje, em pleno século 21. Para aumentar ainda mais a incerteza de dias melhores, há de se avaliar o que estará reservado para o pós dessa Pandemia do Covid19 em relação aos desafios a ser enfrentados, tanto na área da saúde pública quanto na da economia.

O tempo, esse implacável juiz, certamente vai cobrar dos atuais líderes mundiais as ações que priorizaram recursos para serem empregados em guerras. Somas fabulosas, quase inimagináveis, em detrimento da educação e saúde dos seus povos. A história tudo registrará.

Olhando para o passado, para a minha geração, quando tudo era difícil, tínhamos educação, disciplina e patriotismo. Comparo com o que nos proporcionou o atual e festejado “progresso” entre outros: falta de educação, indisciplina, drogas, com a consequente implosão da família, para citar apenas poucas causas do estágio atual da nossa sociedade. Mas para não dizer-se que sou um pessimista, em plena atual crise mundial, o governo americano, a NASA em parceria com a iniciativa privada, lança com novíssima tecnologia, dois astronautas a bordo da Cápsula do projeto SPACEX. Não tenho capacidade de analisar os benefícios que poderão advir para a humanidade em futuro próximo. Não fujo da minha ignorância sobre essa “conquista”.

Mas, saindo desse tema sobre o futuro da exploração do espaço sideral e voltando a terra: vivemos um tempo de escuridão coletiva quanto aos direitos humanos e de preservação da vida. Nunca foram tão intensas as práticas que conduzem à violência humana nesse Mundo tão conturbado.

Penso muito na minha neta e nos meus dois netos. O que o futuro poderá reservar para eles? Para a geração deles. Não consigo avaliar.

Termino apelando para a fé, repetindo o que sempre ouvi, até hoje: DEUS É BRASILEIRO!

 

 

 

 

Por Jorge Motta é jornalista