Opinião – Setor de serviços é crucial na jornada para a recuperação econômica

Com todos os desafios que enfrentamos nos últimos dois anos, entramos em uma nova era e este novo momento requer mais tecnologia, mais eficiência e serviços como pontos cruciais em cada estratégia, escreve Cláudia Guimarães

08/06/2022 07:34

”PIB brasileiro deve crescer 1,1% em 2022, segundo projeção feita pelo Ipea”

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Depois de passar por diversas retrações desde 2020 devido à pandemia, o setor de serviços está retomando sua força e desponta como um dos principais pilares da economia nacional. Combinado com o avanço da digitalização, na parte industrial, o segmento está se fortalecendo ainda mais. A área que chamamos de field services (serviços de campo) tem ganhado maior nível de relevância nos últimos dois anos, sendo essencial para a retomada dos negócios após um período tão conturbado.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o setor de serviços cresceu 10,9% em 2021 no país. Essa é a maior taxa para um acumulado de janeiro a dezembro desde o início da série histórica, em 2012. A indústria tem um papel fundamental nesse crescimento. Isso porque, com a retomada e expansão do segmento, o Purchasing Managers Index (PMI) Composto do Brasil – que informa sobre as condições de negócios atuais para a tomada de decisão das empresas na manufatura – no mês de março, por exemplo, chegou ao nível mais elevado desde janeiro de 2010.

É por isso que os serviços se tornaram o centro dos negócios em boa parte das empresas. Com as pessoas cada vez mais conectadas, a digitalização se expandindo e novas demandas  surgindo – como a velocidade do processamento de informações e a eficiência nos segmentos produtivos –, o segmento se tornou crucial para ganho de escala e competitividade.

No cenário atual, toda a inteligência e conectividade das soluções permitem entregar ao cliente uma experiência muito maior do que somente vender um produto. Antes, as companhias vendiam soluções e os serviços eram oferecidos como complemento, o que não cabe mais quando falamos em termos de competitividade.

Nas linhas produtivas, questões relacionadas à segurança operacional aliadas a agilidade necessária na realização de manutenções com a possibilidade de intervenções remotas, vem ganhando força dentro das empresas, fomentando ainda mais o setor de serviços. Afinal, além da conhecida fabricação de produtos e equipamentos, as empresas precisam cada vez mais oferecer suporte de qualidade, treinamento e planos de manutenção das soluções adotadas em cada projeto.

Nesse sentido, destacam-se as soluções que oferecem a execução de serviços remotos, obtenção de dados em tempo real e o ganho sustentável. Essas tecnologias trazem mais segurança — tanto física (menor exposição à riscos pelos operadores) quanto cibernética —, maior assertividade no processamento de dados e maior competitividade em um mercado que exige cada vez mais ações sustentáveis.

Podemos dizer que esse ganho tecnológico trouxe grandes aprendizados para o setor e novas necessidades que devem ditar o que vem pela frente. Além disso, tem impulsionado a indústria e, consequentemente, a economia nacional como um todo. Exemplo disso é que, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,1% em 2022, segundo projeção feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A instituição aponta, ainda, que essa alta deve ser puxada principalmente pelo setor de serviços, com um aumento previsto de 1,8% neste ano.

Acredito que, com planejamento e com um olhar cada vez mais estratégico para a transformação digital, os serviços remotos e as soluções para executar os diferentes tipos de intervenções podem ganhar espaço ainda maior nas companhias e entregar mais resultados.

Com todos os desafios que enfrentamos nos últimos dois anos, entramos em uma nova era e este novo momento requer mais tecnologia, mais eficiência e serviços como pontos cruciais em cada estratégia.

 

 

 

 

 

Por Claudia Guimarães é formada em Engenheira Elétrica com MBA em Administração e Negócios e diretora da Schneider Electric Brasil.