Opinião – O futuro do agro

Esse aumento na produção de alimentos impactará na mesma proporção na nossa indústria mecânica ligada ao agro, no comércio, nos serviços, no transporte e na industrialização. Escreve Arno Schneider.

26/04/2023 05:34

“O agronegócio brasileiro tem uma vocação exportadora”

O agro brasileiro tem uma vocação exportadora.

Considerando que provavelmente, em pouco mais de uma década, estaremos dobrando nossa produção de alimentos e considerando ainda, que o mercado interno já está abastecido e que essa produção adicional terá que ser exportada, urge procurar e implementar soluções ambientais, mercadológicas, e de infraestrutura de transportes, para viabilizar esse nosso potencial.

Nossas rodovias não suportarão esse adicional da produção. É urgente a necessidade de modernizar nosso sistema de transportes em todos os modais, principalmente em portos, ferrovias e hidrovias.

Somos também muito dependentes do fornecimento externo de fertilizantes. O potássio é o que mais preocupa. Temos que encontrar uma solução sustentável para explorar as imensas jazidas situadas na Amazônia, em terras indígenas. É quase uma incoerência ser o maior exportador de alimentos do mundo e permanecer nesse estado de dependência e vulnerabilidade.

Ambientalmente precisamos inverter nossa imagem de “devastadores” da Amazônia.  Temos que resolver essa questão com ações governamentais mais eficientes.

Uma valorização da floresta em pé, maior que a floresta derrubada, também resolveria definitivamente a questão.

Nos demais aspectos ligados à sustentabilidade ambiental somos irrepreensíveis. Temos 67% do nosso território preservado e um Código Florestal mais rigoroso do mundo, que é aceito e aplicado pelos nossos produtores.

Dobrar a produção de alimentos não será difícil. Nossa área de pastagens cultivadas é mais do que o dobro das áreas agrícolas.

Além dos aumentos de produtividade que a pesquisa promoverá em todas as culturas está havendo uma crescente e significativa transferência de áreas de pastagens para a agricultura. Não haverá nenhuma necessidade de novos desmatamentos. A produção pecuária será compensada pelos avanços tecnológicos.

Essa condição de transferência de áreas de pastagens para a agricultura com essa extensão territorial só existe no Brasil. Esse fato, somado ao avanço tecnológico, possibilitará dobrar a produção sem nenhum desmatamento.

Temos também inimigos dentro da nossa própria trincheira. Parte da população urbana e algumas entidades, tanto por desconhecimento ou por ideologia demonizam o agro.

Chego as vezes a pensar que essa turma do contra considera o sucesso do agro quase como um delito social e ambiental.

O agro é talvez o único setor que temos tecnologia para liderar mundialmente.

Além da área ambiental e de transportes existem outros setores que nos preocupam. Temos que aumentar a nossa oferta, utilizando alta tecnologia, com custos menores que a concorrência, produzindo alimentos de qualidade, baratos e saudáveis.

Qualidade e preço, com certeza, conquistarão novos mercados.

Qual o caminho? Pesquisa, inovação, competência e ousadia, ingredientes que somos muito bons.

Conquistar novos mercados passa por ações do governo, industrias e produtores. Essa mentalidade de que o Brasil não precisa procurar novos parceiros comerciais porque os países importadores não tem outras alternativas, está furada.

Precisamos ter presença com protagonismo nos fóruns e feiras internacionais.

Esse aumento na produção de alimentos impactará na mesma proporção na nossa indústria mecânica ligada ao agro, no comércio, nos serviços, no transporte e na industrialização da produção, com imenso potencial de reduzir as desigualdades sociais.

É necessário que sejamos atrativos e confiáveis em todos os aspectos.

 

 

 

 

 

Por Arno Schneider é pecuarista e diretor da Acrimat.