Opinião – Os discursos de posse do Bolsonaro, Lula e Milei

A todos aqueles que nos estão vendo de fora da Argentina, quero dizer-lhes que a Argentina voltará a ocupar um lugar do mundo que nunca deveria ter perdido. Escreve Stephen Kanitz.

22/11/2023 07:19

“Quem proferiu o melhor discurso em termos de motivação, Milei ou Bolsonaro?”

Qual Foi Melhor?

Na minha opinião foi o do Milei, que deixou bem claro que levaria 35 anos para refazer o estrago socialista do Peronismo, que quebrou a Argentina. E, que medidas drásticas e não conchavos meia boca teriam que ser tomados.

Bolsonaro não alertou esse senso de urgência, de que postergamos problemas demais. Minha primeira crítica ao governo Bolsonaro, foi que o discurso de posse do economista Paulo Guedes não mostrava crise nem urgência.

(Cumprirei o teto dos gastos, quando deveria mostrar que estamos gastando 1 trilhão de reais a mais que arrecadamos para tal. Número grande demais para ignorar.)

Lula, leia mais embaixo, mentiu do início ao fim, leu o que escreveram para ele.

Afirmou com todas as linhas que fará do Brasil uma Argentina, “vou reintroduzir a política de substituição das importações” , produzir aqui o que importamos de fora.

Decidam vocês.

Do Bolsonaro 2018:

“Vamos valorizar a família.

Pretendo partilhar o poder com Estados e Municípios (e não Partidos e seus políticos.

Teremos Mais Brasil menos Brasília.

Cuidarei da Infraestrutura e Saneamento Básico. Vou incentivar o ensino técnico para um emprego, e não o ensino ideológico para uma militância política.

Darei ênfase a maior produtividade, especialmente do setor agrícola, defenderei a meritocracia.

Montei uma equipe técnica e não de políticos, a  porta de entrada da corrupção e ineficiência. Não gastarei mais do que se arrecada.

Teremos menos burocracia, regulamentações.”

Lula 2023:

“Nunca os recursos do Estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder.

Nunca a máquina pública foi tão desencaminhada dos controles republicanos.

Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico e por mentiras disseminadas em escala industrial.

Apesar de tudo, a decisão das urnas prevaleceu, graças a um sistema eleitoral internacionalmente reconhecido por sua eficácia na captação e apuração dos votos. Foi fundamental a atitude corajosa do Poder Judiciário.

No meu primeiro mandato disse que a missão de minha vida estaria cumprida quando cada brasileiro e brasileira pudesse fazer três refeições por dia.

Ter de repetir este compromisso no dia de hoje – diante do avanço da miséria e do regresso da fome, – é o mais grave sintoma da devastação que se impôs ao país.

Diante do desastre orçamentário que recebemos, apresentei ao Congresso Nacional propostas que nos permitam apoiar a imensa camada da população que necessita do Estado para, simplesmente, sobreviver

A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com pleno direito de expressão, manifestação e organização.

A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis da civilização. O nome disso é barbárie.

Estou assinando medidas para reorganizar as estruturas do Poder Executivo, (escolhendo políticos e não técnicos) de modo que voltem a permitir o funcionamento do governo de maneira racional, republicana e democrática.

Para resgatar o papel das instituições do Estado, bancos públicos e empresas estatais no desenvolvimento do país.

Em diálogo com os 27 governadores, vamos definir prioridades para retomar obras irresponsavelmente paralisadas, que são mais de 14 mil no país.

Os bancos públicos, especialmente o BNDES, e as empresas estatais indutoras do crescimento e inovação, como a Petrobras, terão papel fundamental neste novo ciclo, (a pequena empresa geradora de emprego, não).

Vamos aumentar o salário-mínimo. Vamos acabar com a vergonhosa fila do INSS, (que está quebrada. Eu mesmo disse a Lula em 2002).

Vamos fortalecer as centrais sindicais e criar sobre uma nova legislação trabalhista

(Vamos retomar a desastrosa Política de Substituição das Importações.)

O Brasil é grande demais para renunciar ao seu potencial produtivo. Não faz sentido importar combustíveis, fertilizantes, plataformas de petróleo, microprocessadores, aeronaves e satélites.

Temos (?) capacitação técnica, capitais e mercado em grau suficiente para retomar a industrialização de substituição das importações e a oferta de serviços em nível competitivo.

(Apesar de nosso QI ter caído para 86 devido a péssima educação oferecida pelo Estado) O futuro pertencerá a quem investir na indústria do conhecimento.

É inadmissível que as mulheres recebam menos que os homens, realizando a mesma função. Que não sejam reconhecidas em um mundo político machista.

O Brasil tem de ser dono de si mesmo (e não o Estado dono de tudo, educação, saúde, previdência, bancos, FGTS, BNDES, 40% do PIB via impostos, 99% de burocracia e regulamentação.“

Milei 2023:

“Quebramos. Nossa situação é crítica, chegamos com o Peronismo a 46% de pobreza, e 10% de indigência.

Precisamos ser rápidos, não há espaço para o gradualismo nem para o meio termo.

Precisamos tomar medidas drásticas. Senão teremos a pior crise de nossa história.

Seremos implacáveis com aqueles que quiserem manter seus privilégios.

Temos hoje problemas monumentais. Mas não vamos inventar teorias, somente usar o que a história já mostrou que funciona.

O estrago é tanto que levaremos 35 anos para voltarmos a ser um potência mundial.”

A todos aqueles que nos estão vendo de fora da Argentina, quero dizer-lhes que a Argentina voltará a ocupar um lugar do mundo que nunca deveria ter perdido.

Quem proferiu o melhor discurso em termos de motivação, Milei ou Bolsonaro?

 

 

 

 

 

Por Stephen Kanitz, é um consultor de empresas e conferencista brasileiro, mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo.

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