Opinião – Ministério do Meio Ambiente ou Ministério das ONGs de Marina Silva?

Marina vem se tornando uma campeã nacional em matéria de ONGs e, naturalmente, na provedora-mor da prosperidade e do bem-estar dos seus donos. Escreve J.R. Guzzo.

28/11/2023 09:34

“Enquanto o pau come solto nos IPAMs e ISAs da vida, a ministra Marina diz que estamos lançando “nano-mísseis” na atmosfera”

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo federal, já que não encontrou nada de útil para fazer neste seu primeiro ano de passeio por Brasília, poderia mudar outra vez o nome do Ministério do Meio Ambiente. Já mudaram para “Meio Ambiente e Mudança do Clima”, como se pudessem impedir que o clima mude de uma estação para outra, como tem sido sua tendência nos últimos 4 bilhões de anos. Poderiam, agora, chamar de Ministério do Ambiente, da Mudança do Clima e das ONGs da Ministra Marina.

Já que eles gostam de inventar novos nomes e novos ministérios, combinaria bem ampliar o alcance deste importantíssimo posto de vanguarda do lulismo: em todo o bioma do governo, é hoje o ministério que mais desenvolve, alimenta e reproduz a espécie de corpos conhecida como “organização não-governamental”. Ou seja, aquela praga de lavoura que só pensa em governo, justamente – ou, para ser mais preciso, só pensa no dinheiro que está no governo.

A ministra Marina Silva, em quase um ano de governo Lula, conseguiu não fazer absolutamente nada pelo ambiente – as queimadas estão aumentando, o desmatamento continua sendo uma desgraça, a Amazônia está do jeito que estava. Não há nenhuma melhora na qualidade do ar ou nas emissões de substâncias nocivas. O saneamento básico, que tem de ser a prioridade absoluta em qualquer programa de melhoria ambiental nem é com ela – e o resto do governo, na prática, é contra as obras de esgoto e água encanada.

Em compensação, na área em que tem acesso a verbas, Marina vem se tornando uma campeã nacional em matéria de ONGs e, naturalmente, na provedora-mor da prosperidade e do bem-estar dos seus donos. Está envolvida, para ficar só nos casos mais feios, num “Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, ou “IPAM” – cuja principal realização foi gastar 80% do seu orçamento de 40 milhões de reais, em 2022, com o pagamento da folha salarial de seus próprios funcionários, viagens e “consultorias”. Agora se meteu numa história ainda pior. Um “Instituto Socioambiental”, ou “ISA”, dirigido por ninguém menos que o secretário executivo do ministério de Marina, também gastou mais de 80% dos 140 milhões de reais que recebeu do Fundo Amazônia e de entidades estrangeiras em salários, viagens e as inevitáveis “consultorias”. Você já adivinhou: o presidente do Conselho Diretor desse “ISA” é também dono de uma empresa de consultoria que vende suas consultas para o próprio “instituto”.

O “IPAM”, também sustentado por dinheiro do Erário e doações internacionais, diz que já fez “1.200 artigos científicos”; atribui a si próprio, igualmente, um vago “aumento de renda” para os moradores de um assentamento na Amazonia. O ISA diz que ajuda nas “estratégias de enfrentamento do desmatamento”. Nos dois casos, sua única atividade que está fora de dúvida é gastar consigo mesmos quase todo o dinheiro que recebem do governo e das doações. Qual a surpresa que poderia haver nisso tudo? Farsas raramente são apenas farsas; acabam custando caro, e quem paga por elas é o público.

Enquanto o pau come solto nos IPAMs e ISAs da vida, a ministra Marina diz que estamos lançando “nano-mísseis” na atmosfera e faz alarmantes avisos de que estão acontecendo mudanças na “regularidade cósmica”. Mais ainda: propõe, simplesmente, que se abra um “corredor humanitário para salvar as crianças da guerra do clima”. Sério? Levando-se em conta que, segundo a própria ministra, essa guerra atinge o mundo inteiro, fica difícil entender para onde iria esse corredor das crianças. Para fora da Terra? É essa gente, e suas ONGs, que governam hoje o Brasil.

 

 

 

 

Por J.R.Guzzo é jornalista. Começou sua carreira como repórter em 1961, na Última Hora de São Paulo, passou cinco anos depois para o Jornal da Tarde e foi um dos integrantes da equipe fundadora da revista Veja, em 1968. Foi correspondente em Paris e Nova York, cobriu a guerra do Vietnã e esteve na visita pioneira do presidente Richard Nixon à China, em 1972. Foi diretor de redação de Veja durante quinze anos, a partir de 1976. Nos últimos anos trabalhou como colunista em Veja e Exame.

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