Inflação/IPCA – Os pobres são os mais afetados

11/07/2016 00:03

Quem ganham entre R$ 880 e R$ 2.200 são mais afetos pela inflação. Produtos consumidos por quem ganha nessa faixa salarial, subiram mais que a média

A forma como a inflação age no bolso do consumidor, não é de uma forma igualitária. Existe uma variação de acordo com a região e o perfil de consumo. No Brasil, os bolsos mais atingidos são os dos mais pobres. O aumento de preços geral, pelo índice oficial usado pelo governo, atingiu 10,67% em 2015, o mais alto desde 2002. Desde então a inflação vem recuando, mas segue mais pesada para as famílias que têm renda de entre 1 e 2,5 salários-mínimos, até R$ 2.200 atualmente.

O índice da Fundação Getúlio Vargas que mede a inflação dos mais pobres (IPC-C1) foi maior que a inflação geral em quatro dos seis primeiros meses do ano. No acumulado em 12 meses, a inflação dos mais pobres ficou acima do índice correspondente a todas as classes em todos os resultados de janeiro a junho. Isso depois de ter registrado em 2015 o valor mais alto em 11 anos.

11,52%

inflação para famílias com renda entre 1 e 2,5 salários-mínimos em 2015

O IPC-C1 é medido em quatro capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife) pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV. O Ibre identifica o perfil de consumo das famílias mais pobres por pesquisas de orçamentos familiares e, a partir disso, dá peso maior no índice aos produtos mais comprados por elas. Assim chega ao índice que mede o impacto do aumento de preços para quem ganha menos.

Em junho, por exemplo, pesou no bolso dos mais pobres a variação de preços de transporte, habitação e alimentação. Arroz e feijão subiram, respectivamente, 2,84% e 15,84%, apenas no mês passado.

ÍNDICE GERAL E PARA OS MAIS POBRES

imagem ipca

Inflação é Empobrecimento

O índice mostra que o pacote de produtos consumido pelos mais pobres subiu acima do geral, mas a inflação pesa mais para quem tem renda menor também por outros motivos. Essas famílias, em geral, comprometem uma parcela maior dos ganhos com gastos essenciais e têm menos possibilidade de escolher como gastar.

Os mais pobres costumam ser assalariados e o ritmo de reposição dos ganhos anda mais devagar que a inflação. Por exemplo, é mais fácil e rápido para um comerciante repassar o aumento de custos e repor as perdas com a inflação. Já as reposições salariais acontecem uma vez por ano. Enquanto não chega a data-base para o reajuste, o salário no bolso vale menos.

Outro problema é que os mais pobres não têm como proteger seus ganhos do aumento de preços. Como grande parte do salário vai para o pagamento das contas do mês, sobra pouco ou nada para poupar e obter algum rendimento que proteja o dinheiro da desvalorização. Assim, com os preços subindo e a receita parada, o salário compra menos e o assalariado empobrece mais a cada mês.

Assista o vídeo abaixo com uma breve explicação sobre a inflação:

 

Da Redação com informações de José Roberto Castro do Expresso Nexo